...Na aritmética das palavras reside o meu silêncio
Nem esperava te encontrar, mas você veio, enfim...
E sempre tão novo e antigo quanto os astros e mistérios
E sussurrou em meus ouvidos a palavra mágica
Inesperadamente.
Pensei em você e os versos prontamente vieram
Parece-me que apenas por versos posso lhe alcançar
Sem ser direta ou objetiva, posso dizer o que quero
Sem riscos ou dúvidas, por que são eternas as dúvidas
De quem lê e entende - ou não - um poema.
Não sei o que quero dizer, mas a gárgula me espreita
Debruçada sobre a cidade ela vigia e parece procurar
Na noite, na escuridão, a mesma que me esconde,
O sentido essencial de estar como gárgula e ser gárgula
E por quê ser.
Ela vigia, eu escrevo. Somos guardiões de nós mesmos,
Um do outro, pois eis que eu, escrevendo, a concretizo no mundo
E ela, me observando, me salva da escuridão e seus perigos
Me protege, mas, ao mesmo tempo, me abandona
Suas asas meio erguidas formam a silhueta de um anjo
E ouço um coro celeste iluminando sua pele de pedra.
Que estranho par formamos... Gárgula e poeta na escuridão
Vigiando seres e palavras, sem se encontrarem
Sem saberem o que os une, se é a solidão ou o presságio
De que se complementam e compreendem, ou nada
Sem saberem o quanto estão unidos
Sob o mesmo manto de estrelas, esquecidos de si mesmos.
E, na escuridão, ambos sonham com o futuro que há de chegar
Do topo dos telhados a gárgula espreita a presa
E a presa espreita o mundo inteiro, silenciosa
Esperando você chegar e sussurrar a palavra mágica
Misteriosamente.
Bete - 24.02.99 - 23:24
Friday, November 21, 2008
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