Saturday, November 22, 2008
Evolução do ascendente.
Eu, cada vez mais leonina: auto-centrada, generosa, orgulhosa, esnobe, arrogante, vaidosa, encantadora e perfeita.
Friday, November 21, 2008
Jupiterianas.
"Somente dois tipos de seres humanos no mundo tem o dom de conseguir o que quer com o simples fato de falar bem, saber cativar com o olhar, convencer com gestos faceis e viciar ao ponto de ser amado ou odiado à morte: Politicos por safadeza e sagitarianas por natureza."
Anônimo
Anônimo
Amigos
"Amigos comunicam-se pelo coração. Amigos sentem. Amigos pressentem. Procuram-nos sem motivo, apenas para saber se estamos bem. Podem usar e-mail, telefone, carta, fax, mas o que prevalece é a voz da alma. Amigos não perguntam por que nos machucamos. Trazem o alento para amenizar a nossa dor. Amigos percorrem nossa estrada aparando espinhos. Aceitam-nos como somos."
Alan, o Miranda
Alan, o Miranda
Homem Fechado
"Eu sou um homem fechado.
O mundo me tornou egoista e mau.
E a minha poesia é um vício triste, Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.
Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos...
E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender nada, numa alegria atônita...
A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos."
(Mario Quintana)
O mundo me tornou egoista e mau.
E a minha poesia é um vício triste, Desesperado e solitário
Que eu faço tudo por abafar.
Mas tu apareceste com a tua boca fresca de madrugada,
Com o teu passo leve,
Com esses teus cabelos...
E o homem taciturno ficou imóvel, sem compreender nada, numa alegria atônita...
A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil
Aonde viessem pousar os passarinhos."
(Mario Quintana)
Desire
"Desejo mora no coração.
É improvável que qualquer retrato
consiga fazer jus a Desejo,
pois vê-la (ou vê-lo)
seria o mesmo que amá-lo
(ou amá-la) - apaixonadamente,
dolorosamente, até a
exclusão de tudo o mais.
Desejo exala um perfume
quase subliminar de pêssegos
no verão e projeta
duas sombras: uma negra
e de nítidos contornos; a outra
sempre ondulante,
como neblina no calor.
Desejo sorri em breves lampejos,
da mesma forma que o brilho
do Sol reluz no gume de uma
faca. E há muito, muito mais do gume
de uma faca na essência de Desejo.
Jamais a(o) possuída(o), sempre
o(a) possuidor(a), com pele
tão pálida quanto fumaça,
e olhos aguçados como vinho.
Desejo é tudo o que você sempre quis.
Quem quer que seja você.
O que quer que seja você.
Tudo."
É improvável que qualquer retrato
consiga fazer jus a Desejo,
pois vê-la (ou vê-lo)
seria o mesmo que amá-lo
(ou amá-la) - apaixonadamente,
dolorosamente, até a
exclusão de tudo o mais.
Desejo exala um perfume
quase subliminar de pêssegos
no verão e projeta
duas sombras: uma negra
e de nítidos contornos; a outra
sempre ondulante,
como neblina no calor.
Desejo sorri em breves lampejos,
da mesma forma que o brilho
do Sol reluz no gume de uma
faca. E há muito, muito mais do gume
de uma faca na essência de Desejo.
Jamais a(o) possuída(o), sempre
o(a) possuidor(a), com pele
tão pálida quanto fumaça,
e olhos aguçados como vinho.
Desejo é tudo o que você sempre quis.
Quem quer que seja você.
O que quer que seja você.
Tudo."
Os ombros
Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossege
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossege
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade
Para uma gárgula
...Na aritmética das palavras reside o meu silêncio
Nem esperava te encontrar, mas você veio, enfim...
E sempre tão novo e antigo quanto os astros e mistérios
E sussurrou em meus ouvidos a palavra mágica
Inesperadamente.
Pensei em você e os versos prontamente vieram
Parece-me que apenas por versos posso lhe alcançar
Sem ser direta ou objetiva, posso dizer o que quero
Sem riscos ou dúvidas, por que são eternas as dúvidas
De quem lê e entende - ou não - um poema.
Não sei o que quero dizer, mas a gárgula me espreita
Debruçada sobre a cidade ela vigia e parece procurar
Na noite, na escuridão, a mesma que me esconde,
O sentido essencial de estar como gárgula e ser gárgula
E por quê ser.
Ela vigia, eu escrevo. Somos guardiões de nós mesmos,
Um do outro, pois eis que eu, escrevendo, a concretizo no mundo
E ela, me observando, me salva da escuridão e seus perigos
Me protege, mas, ao mesmo tempo, me abandona
Suas asas meio erguidas formam a silhueta de um anjo
E ouço um coro celeste iluminando sua pele de pedra.
Que estranho par formamos... Gárgula e poeta na escuridão
Vigiando seres e palavras, sem se encontrarem
Sem saberem o que os une, se é a solidão ou o presságio
De que se complementam e compreendem, ou nada
Sem saberem o quanto estão unidos
Sob o mesmo manto de estrelas, esquecidos de si mesmos.
E, na escuridão, ambos sonham com o futuro que há de chegar
Do topo dos telhados a gárgula espreita a presa
E a presa espreita o mundo inteiro, silenciosa
Esperando você chegar e sussurrar a palavra mágica
Misteriosamente.
Bete - 24.02.99 - 23:24
Nem esperava te encontrar, mas você veio, enfim...
E sempre tão novo e antigo quanto os astros e mistérios
E sussurrou em meus ouvidos a palavra mágica
Inesperadamente.
Pensei em você e os versos prontamente vieram
Parece-me que apenas por versos posso lhe alcançar
Sem ser direta ou objetiva, posso dizer o que quero
Sem riscos ou dúvidas, por que são eternas as dúvidas
De quem lê e entende - ou não - um poema.
Não sei o que quero dizer, mas a gárgula me espreita
Debruçada sobre a cidade ela vigia e parece procurar
Na noite, na escuridão, a mesma que me esconde,
O sentido essencial de estar como gárgula e ser gárgula
E por quê ser.
Ela vigia, eu escrevo. Somos guardiões de nós mesmos,
Um do outro, pois eis que eu, escrevendo, a concretizo no mundo
E ela, me observando, me salva da escuridão e seus perigos
Me protege, mas, ao mesmo tempo, me abandona
Suas asas meio erguidas formam a silhueta de um anjo
E ouço um coro celeste iluminando sua pele de pedra.
Que estranho par formamos... Gárgula e poeta na escuridão
Vigiando seres e palavras, sem se encontrarem
Sem saberem o que os une, se é a solidão ou o presságio
De que se complementam e compreendem, ou nada
Sem saberem o quanto estão unidos
Sob o mesmo manto de estrelas, esquecidos de si mesmos.
E, na escuridão, ambos sonham com o futuro que há de chegar
Do topo dos telhados a gárgula espreita a presa
E a presa espreita o mundo inteiro, silenciosa
Esperando você chegar e sussurrar a palavra mágica
Misteriosamente.
Bete - 24.02.99 - 23:24
De um anônimo
"Bom mesmo é ir à luta com determinação,
Abraçar a vida e viver com paixão,
Perder com classe e vencer com ousadia,
Porque o mundo pertence a quem se atreve,
E a vida é muito,
Para ser insignificante."
Abraçar a vida e viver com paixão,
Perder com classe e vencer com ousadia,
Porque o mundo pertence a quem se atreve,
E a vida é muito,
Para ser insignificante."
No caminho com Maiakovski
"Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada."
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada."
On the road
The only people for me are the mad ones, the ones mad to live, mad to
talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the
ones who never yawn or say a commonplace thing but burn, burn, burn
like fabulous roman candles exploding like spiders across the stars
and in the middle you see the blue centerlight pop and everybody goes
'Awww!'
Jack Kerouac, On the Road

Paris, Texas
Você já ouviu o Gotan Project tocando Paris, Texas? Eu sou assim. Há
que se ouvir para entender. Uma coisa meio de deserto, meio de
selvagem, meio de desesperado, mas ainda assim sereno, pacífico.
Eu tenho sangue O negativo, doadora universal. Eu doo sangue. Em tudo.
Eu finjo que não acredito nas pessoas, mas eu acredito, e vou seguindo
quebrando a cara e acreditando de novo até o fim dos tempos.
Eu amo Neil Gaiman, Yann Tiersen, Ney Matogrosso, Lenine. Eu amo
filmes, eu amo música, eu amo livros. Eu amo todas as pequenas peças
do quebra-cabeças do mundo que me ajudam a compreender melhor a sua -
e a minha - existência.
Eu sou médica, mas e daí? Gosto de pensar que estou ajudando as
pessoas a fazer algo de melhor por elas mesmas e pelo mundo.
Eu sou amiga e filha, e irmã, e prima, e fui neta, e sou mãe, mãe dos
meus filhotes gatos e aves. Eu sou mulher, até a última raiz do
cabelo, apesar das controvérsias. E amo intensamente.
Eu gosto de vestir preto, gosto de frio, de noites estreladas, de mar,
de praia, de montanha. Eu gosto da solidão do mato, do distanciamento
das ruas lotadas. Eu quero morar na chapada. Eu amo Maceió, Curitiba e
Morro de São Paulo. E o Rio é lindo. Viajar me motiva. Acalma meu
coração.
Eu tenho trinta anos, mas meu coração tem dezoito e minha alma, cento
e poucos anos.
Eu gosto de deitar com meus amigos nos tapetes e beber e falar
besteira, e estar feliz pelo simples fato de eles existirem e serem
tão belos, e eu ter o privilégio de estar com eles.
Eu amo livrarias e cheiro de livros novos. Como amo alguns perfumes,
de várias coisas. Café. Tequila. Pão quente. Gosto de cozinhar sem
obrigação, e aprender a alquimia de sabores, texturas, bolhas,
vapores.
Eu sou um castelo de cartas feito de lembranças de tudo que passei,
das minhas risadas, lágrimas, histerias. E cada vez que o castelo cai
eu reconstruo tudo com uma paciência que nem eu mesma sabia que tinha.
Eu sou melancólica, mas posso dar a gargalhada mais louca que alguém já ouviu.
Eu sou um caleidoscópio; visto de cada ângulo, uma diferente face. Um
mundo de cada vez, um mundo em cada face, todos um mundo só.
Sagitariana com orgulho, Lua em Sagitário, Ascendente em Leão. Triplo
fogo, puro sentimento bem disfarçado entre as cortinas da indiferença.
Poesia em altas doses. Inconsequente em muitos casos.
Orgulhosa, teimosa, distraída, muitas vezes insegura, muitas vezes
inibida. Mas são apenas palavras, e eu sou muito mais do que isso.
Eu, eu, eu. Um texto sobre eu. Um olhar no espelho. Ninguém pode fazer
isso por mim. Então sempre haverá muitos mistérios que não podem ser
escritos.
Eu tenho a chave dos segredos de mim.
que se ouvir para entender. Uma coisa meio de deserto, meio de
selvagem, meio de desesperado, mas ainda assim sereno, pacífico.
Eu tenho sangue O negativo, doadora universal. Eu doo sangue. Em tudo.
Eu finjo que não acredito nas pessoas, mas eu acredito, e vou seguindo
quebrando a cara e acreditando de novo até o fim dos tempos.
Eu amo Neil Gaiman, Yann Tiersen, Ney Matogrosso, Lenine. Eu amo
filmes, eu amo música, eu amo livros. Eu amo todas as pequenas peças
do quebra-cabeças do mundo que me ajudam a compreender melhor a sua -
e a minha - existência.
Eu sou médica, mas e daí? Gosto de pensar que estou ajudando as
pessoas a fazer algo de melhor por elas mesmas e pelo mundo.
Eu sou amiga e filha, e irmã, e prima, e fui neta, e sou mãe, mãe dos
meus filhotes gatos e aves. Eu sou mulher, até a última raiz do
cabelo, apesar das controvérsias. E amo intensamente.
Eu gosto de vestir preto, gosto de frio, de noites estreladas, de mar,
de praia, de montanha. Eu gosto da solidão do mato, do distanciamento
das ruas lotadas. Eu quero morar na chapada. Eu amo Maceió, Curitiba e
Morro de São Paulo. E o Rio é lindo. Viajar me motiva. Acalma meu
coração.
Eu tenho trinta anos, mas meu coração tem dezoito e minha alma, cento
e poucos anos.
Eu gosto de deitar com meus amigos nos tapetes e beber e falar
besteira, e estar feliz pelo simples fato de eles existirem e serem
tão belos, e eu ter o privilégio de estar com eles.
Eu amo livrarias e cheiro de livros novos. Como amo alguns perfumes,
de várias coisas. Café. Tequila. Pão quente. Gosto de cozinhar sem
obrigação, e aprender a alquimia de sabores, texturas, bolhas,
vapores.
Eu sou um castelo de cartas feito de lembranças de tudo que passei,
das minhas risadas, lágrimas, histerias. E cada vez que o castelo cai
eu reconstruo tudo com uma paciência que nem eu mesma sabia que tinha.
Eu sou melancólica, mas posso dar a gargalhada mais louca que alguém já ouviu.
Eu sou um caleidoscópio; visto de cada ângulo, uma diferente face. Um
mundo de cada vez, um mundo em cada face, todos um mundo só.
Sagitariana com orgulho, Lua em Sagitário, Ascendente em Leão. Triplo
fogo, puro sentimento bem disfarçado entre as cortinas da indiferença.
Poesia em altas doses. Inconsequente em muitos casos.
Orgulhosa, teimosa, distraída, muitas vezes insegura, muitas vezes
inibida. Mas são apenas palavras, e eu sou muito mais do que isso.
Eu, eu, eu. Um texto sobre eu. Um olhar no espelho. Ninguém pode fazer
isso por mim. Então sempre haverá muitos mistérios que não podem ser
escritos.
Eu tenho a chave dos segredos de mim.
Clariciana
""Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de
seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu
nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que
te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para
arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que
te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim
de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu
sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem
essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois
preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos e olharam intimidados
as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e
dormir. "
Clarice Lispector
seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu
nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que
te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para
arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que
te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim
de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu
sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem
essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois
preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos e olharam intimidados
as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e
dormir. "
Clarice Lispector
O peso da alma
"Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da
palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma
lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa
como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial
peso da solidão no meio de outros."
Clarice Lispector
palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma
lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa
como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial
peso da solidão no meio de outros."
Clarice Lispector
Descobertas
"Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto
em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de
uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação
inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri
que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha
negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que
me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre
penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras
reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me
importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não é um estado da
alma e sim um signo do Zodíaco."
Gabriel Garcia Marquez
Outsiders
"- Não é que a menina seja negação para tudo, o que há é que ela não é
deste mundo."
Gabriel Garcia Marquez
Para ser grande
Lenda hindu.
"Diz a lenda que o Senhor, após criar o homem e não tendo nada sólido para
construir a Mulher, tomou um punhado de ingredientes delicados e
contraditórios, tais como: timidez e ousadia, ciúme e ternura, paixão e
ódio, paciência e ansiedade, alegria e tristeza e assim fez a mulher e a
entregou ao homem como sua companheira.
Após uma semana, o homem voltou e disse:
- Senhor, a criatura que você me deu faz a minha vida infeliz. Ela fala
sem cessar e me atormenta de tal maneira que nem tenho tempo para
descansar. Ela insiste em que lhe dê atenção o dia inteiro... e assim
as minhas horas são desperdiçadas. Ela chora por qualquer motivo e
fica facilmente emburrada e, às vezes, muito tempo ociosa. Vim
devolvê-la por que não posso viver com ela.
Depois de uma semana o homem voltou ao criador e disse:
- Senhor, minha vida é tão vazia desde que eu trouxe aquela criatura de
volta! Eu sempre penso nela, em como ela dançava e cantava, como era
graciosa, como me olhava, como conversava comigo e como se achegava a mim.
Ela era agradável de se ver e de se acariciar. Eu gostava de ouvi-la rir.
Por favor, dê-me-a de volta.
- Está bem, disse o Criador. E a devolveu.
Mas, três dias depois, o homem voltou e disse:
- Senhor, eu não sei. Eu não consigo explicar, mas depois de todas estas
minhas experiências com esta criatura, cheguei a conclusão que ela me
causa mais problemas do que prazer. Pega-lhe, toma-a de novo! Não consigo
viver com ela!
O Criador respondeu:
- Mas também não pode viver sem ela. E virou as costas para o homem e
continuou seu trabalho.
O homem desesperado disse:
- Como é que eu vou fazer? Não consigo viver com ela e não consigo viver
sem ela.
E arremata o Criador:
- Achei que com as tentativas você já tivesse descoberto. Amor é um
sentimento a ser aprendido.
É tensão e satisfação.
É desejo e hostilidade.
É alegria e dor.
Um não existe sem o outro.
A felicidade é apenas uma parte integrante do amor.
Isto é o que deve ser aprendido.
O sofrimento também pertence ao amor.
Este é o grande mistério do amor.
A sua própria beleza e o seu próprio fardo.
Em todo o esforço que se realiza para o aprendizado do amor é preciso
considerar sempre a doação e o sacrifício ao lado da satisfação e da
alegria. A pessoa terá talvez que abdicar de alguma coisa para possuir ou
ganhar uma outra coisa. Terá talvez que desembolsar algo para obter um bem
maior e melhor para sua felicidade.
É como plantar uma árvore frente a uma janela. Ganha sombra, mas perde uma
parte da paisagem. Troca o silêncio pelo gorjeio da passarada ao
amanhecer. É preciso considerar tudo isto quando nos dispomos a enfrentar o
aprendizado do amor."
construir a Mulher, tomou um punhado de ingredientes delicados e
contraditórios, tais como: timidez e ousadia, ciúme e ternura, paixão e
ódio, paciência e ansiedade, alegria e tristeza e assim fez a mulher e a
entregou ao homem como sua companheira.
Após uma semana, o homem voltou e disse:
- Senhor, a criatura que você me deu faz a minha vida infeliz. Ela fala
sem cessar e me atormenta de tal maneira que nem tenho tempo para
descansar. Ela insiste em que lhe dê atenção o dia inteiro... e assim
as minhas horas são desperdiçadas. Ela chora por qualquer motivo e
fica facilmente emburrada e, às vezes, muito tempo ociosa. Vim
devolvê-la por que não posso viver com ela.
Depois de uma semana o homem voltou ao criador e disse:
- Senhor, minha vida é tão vazia desde que eu trouxe aquela criatura de
volta! Eu sempre penso nela, em como ela dançava e cantava, como era
graciosa, como me olhava, como conversava comigo e como se achegava a mim.
Ela era agradável de se ver e de se acariciar. Eu gostava de ouvi-la rir.
Por favor, dê-me-a de volta.
- Está bem, disse o Criador. E a devolveu.
Mas, três dias depois, o homem voltou e disse:
- Senhor, eu não sei. Eu não consigo explicar, mas depois de todas estas
minhas experiências com esta criatura, cheguei a conclusão que ela me
causa mais problemas do que prazer. Pega-lhe, toma-a de novo! Não consigo
viver com ela!
O Criador respondeu:
- Mas também não pode viver sem ela. E virou as costas para o homem e
continuou seu trabalho.
O homem desesperado disse:
- Como é que eu vou fazer? Não consigo viver com ela e não consigo viver
sem ela.
E arremata o Criador:
- Achei que com as tentativas você já tivesse descoberto. Amor é um
sentimento a ser aprendido.
É tensão e satisfação.
É desejo e hostilidade.
É alegria e dor.
Um não existe sem o outro.
A felicidade é apenas uma parte integrante do amor.
Isto é o que deve ser aprendido.
O sofrimento também pertence ao amor.
Este é o grande mistério do amor.
A sua própria beleza e o seu próprio fardo.
Em todo o esforço que se realiza para o aprendizado do amor é preciso
considerar sempre a doação e o sacrifício ao lado da satisfação e da
alegria. A pessoa terá talvez que abdicar de alguma coisa para possuir ou
ganhar uma outra coisa. Terá talvez que desembolsar algo para obter um bem
maior e melhor para sua felicidade.
É como plantar uma árvore frente a uma janela. Ganha sombra, mas perde uma
parte da paisagem. Troca o silêncio pelo gorjeio da passarada ao
amanhecer. É preciso considerar tudo isto quando nos dispomos a enfrentar o
aprendizado do amor."
Um desejo
" ... Estou te querendo muito bem neste minuto. Tinha vontade que você
estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes,
pequenas, e sem nenhuma importância, algumas.
Fique feliz, fique bem feliz, fique bem claro, queira ser feliz. Você
é muito lindo e eu tento te enviar a minha melhor vibração de axé.
Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em
passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você,
para mim.
Com cuidado, com carinho grande, te abraço forte e te beijo,
Caio F.
p.s.: Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos
descartáveis. E amanhã tem sol."
estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes,
pequenas, e sem nenhuma importância, algumas.
Fique feliz, fique bem feliz, fique bem claro, queira ser feliz. Você
é muito lindo e eu tento te enviar a minha melhor vibração de axé.
Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em
passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você,
para mim.
Com cuidado, com carinho grande, te abraço forte e te beijo,
Caio F.
p.s.: Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos
descartáveis. E amanhã tem sol."
On myself

Bee é médica, infectologista, dona de casa, contadora de histórias e
criadora de bichos. Ela escreve, não dança, mas faz um strogonoff
decente. Acredita na alquimia da cozinha, e espera um dia conseguir
não ferrar mais nenhum almoço. Ouve música 16 horas por dia e sai
lendo um livro atrás do outro, apesar de ter tido que frear um pouco
esse ritmo e enfiar as caras no Mandell. Nesse meio tempo acha jeito
de assistir um monte de séries e filmes, decorar caixas de madeira com
guardanapos, fazer quebra-cabeças de 1500 peças, tentar pintar
aquarelas que sempre saem toscas e importunar seu noivo. Ela tira
fotos razoáveis e está feliz com sua máquina nova.
Às vezes Bee é pura poesia; em outras, obscenidade pesada. Às vezes
ela se sente muito sozinha e cansada, e deseja que o mundo termine
numa era glacial ou colida com um meteoro e exploda em mil pedaços. Às
vezes ela chora vendo o pôr-do-sol e esquece que odeia tudo. Bee tem
bons amigos, e agradece todos os dias porque eles existem.
E ela acha que é descendente de Irlandeses, porque gosta de ser ruiva,
e adora álcool.
(Ninguém sabe, mas ela é filha de uma Valquíria com um preto-velho, e
esse é um dos mais bem escondidos segredos da casa dos segredos).
No final
Para aquele que está sempre ao meu lado
"Quando meus pés tiverem dado todos os passos
E o vento tiver me levado a todos os lugares
Quando as árvores que vi crescerem tiverem dado todos os frutos
E estiverem velhas, avermelhadas, outonais
Quando o tempo estiver no fim para mim
E a areia estiver escassa
Quando eu tiver sorrido todos os sorrisos
E nossos filhos estiverem crescidos
E nossos livros escritos
E nossas canções, cantadas
E nossa casa cheia de lembranças, e cheiros, e risadas
Quando eu tiver plantado minhas sementes
Quando eu puder enfim deitar e descansar, lá, bem lá na frente
Eu quero poder estender a mão para o lado
E segurar a sua."
"Quando meus pés tiverem dado todos os passos
E o vento tiver me levado a todos os lugares
Quando as árvores que vi crescerem tiverem dado todos os frutos
E estiverem velhas, avermelhadas, outonais
Quando o tempo estiver no fim para mim
E a areia estiver escassa
Quando eu tiver sorrido todos os sorrisos
E nossos filhos estiverem crescidos
E nossos livros escritos
E nossas canções, cantadas
E nossa casa cheia de lembranças, e cheiros, e risadas
Quando eu tiver plantado minhas sementes
Quando eu puder enfim deitar e descansar, lá, bem lá na frente
Eu quero poder estender a mão para o lado
E segurar a sua."
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