
Bee é médica, infectologista, dona de casa, contadora de histórias e
criadora de bichos. Ela escreve, não dança, mas faz um strogonoff
decente. Acredita na alquimia da cozinha, e espera um dia conseguir
não ferrar mais nenhum almoço. Ouve música 16 horas por dia e sai
lendo um livro atrás do outro, apesar de ter tido que frear um pouco
esse ritmo e enfiar as caras no Mandell. Nesse meio tempo acha jeito
de assistir um monte de séries e filmes, decorar caixas de madeira com
guardanapos, fazer quebra-cabeças de 1500 peças, tentar pintar
aquarelas que sempre saem toscas e importunar seu noivo. Ela tira
fotos razoáveis e está feliz com sua máquina nova.
Às vezes Bee é pura poesia; em outras, obscenidade pesada. Às vezes
ela se sente muito sozinha e cansada, e deseja que o mundo termine
numa era glacial ou colida com um meteoro e exploda em mil pedaços. Às
vezes ela chora vendo o pôr-do-sol e esquece que odeia tudo. Bee tem
bons amigos, e agradece todos os dias porque eles existem.
E ela acha que é descendente de Irlandeses, porque gosta de ser ruiva,
e adora álcool.
(Ninguém sabe, mas ela é filha de uma Valquíria com um preto-velho, e
esse é um dos mais bem escondidos segredos da casa dos segredos).

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