Sunday, May 28, 2006

Para Elvis

A um bruxo, com amor

Em certa casa da Rua Cosme Velho
(que se abre no vazio)
venho visitar-te; e me recebes
na sala trajestada com simplicidade
onde pensamentos idos e vividos
perdem o amarelo
de novo interrogando o céu e a noite.

Outros leram da vida um capítulo, tu leste o livro inteiro.
Daí esse cansaço nos gestos e, filtrada,
uma luz que não vem de parte alguma
pois todos os castiçais
estão apagados.

Contas a meia voz
maneiras de amar e de compor os ministérios
e deitá-los abaixo, entre malinas
e bruxelas.
Conheces a fundo
a geologia moral dos Lobo Neves
e essa espécie de olhos derramados
que não foram feitos para ciumentos.

E ficas mirando o ratinho meio cadáver
com a polida, minuciosa curiosidade
de quem saboreia por tabela
o prazer de Fortunato, vivisseccionista amador.
Olhas para a guerra, o murro, a facada
como para uma simples quebra da monotonia universal
e tens no rosto antigo
uma expressão a que não acho nome certo
(das sensações do mundo a mais sutil):
volúpia do aborrecimento?
ou, grande lascivo, do nada?

O vento que rola do Silvestre leva o diálogo,
e o mesmo som do relógio, lento, igual e seco,
tal um pigarro que parece vir do tempo da Stoltz e do gabinete Paraná,
mostra que os homens morreram.
A terra está nua deles.
Contudo, em longe recanto,
a ramagem começa a sussurar alguma coisa
que não se estende logo
a parece a canção das manhãs novas.
Bem a distingo, ronda clara:
É Flora,
com olhos dotados de um mover particular
ente mavioso e pensativo;
Marcela, a rir com expressão cândida (e outra coisa);
Virgília,
cujos olhos dão a sensação singular de luz úmida;
Mariana, que os tem redondos e namorados;
e Sancha, de olhos intimativos;
e os grandes, de Capitu, abertos como a vaga do mar lá fora,
o mar que fala a mesma linguagem
obscura e nova de D. Severina
e das chinelinhas de alcova de Conceição.
A todas decifrastes íris e braços
e delas disseste a razão última e refolhada
moça, flor mulher flor
canção de mulher nova...
E ao pé dessa música dissimulas (ou insinuas, quem sabe)
o turvo grunhir dos porcos, troça concentrada e filosófica
entre loucos que riem de ser loucos
e os que vão à Rua da Misericórdia e não a encontram.
O eflúvio da manhã,
quem o pede ao crepúsculo da tarde?
Uma presença, o clarineta,
vai pé ante pé procurar o remédio,
mas haverá remédio para existir
senão existir?
E, para os dias mais ásperos, além
da cocaína moral dos bons livros?
Que crime cometemos além de viver
e porventura o de amar
não se sabe a quem, mas amar?

Todos os cemitérios se parecem,
e não pousas em nenhum deles, mas onde a dúvida
apalpa o mármore da verdade, a descobrir
a fenda necessária;
onde o diabo joga dama com o destino,
estás sempre aí, bruxo alusivo e zombeteiro,
que resolves em mim tantos enigmas.

Um som remoto e brando
rompe em meio a embriões e ruínas,
eternas exéquias e aleluias eternas,
e chega ao despistamento de teu pencenê.
O estribeiro Oblivion
bate à porta e chama ao espetáculo
promovido para divertir o planeta Saturno.
Dás volta à chave,
envolves-te na capa,
e qual novo Ariel, sem mais resposta,
sais pela janela, dissolves-te no ar.

Thursday, May 25, 2006

Hey, it's the sun!

Muito melhor ouvir do que ler. The Polyphonic Spree, da trilha de Eternal Sunshine of the spotless mind.

"Sun
Take some time, get away
Sun
Suicide is a shame
Sun
Soon, you'll find your own way
Sun
Hope has come, you are safe
And it makes me cry
Because I'm on my way
On my way
On my way
Hey, it's the sun, and it makes me shine (x3)
Hey, now, it's the sun, and it makes me shine

Sun
Soon, you'll be okay
Sun
Soon, you'll be okay
And it makes me smile
Because I'm on my way

Hey, it's the sun, and it makes me shine (x3)
Hey, now, it's the sun, and it makes me smile
All around
Hey, now, it's the sun, and it makes me smile
All around, all around"

Felix Noctem

Meu segundo gato de aquarela

Meu primeiro gato de aquarela

Wednesday, May 24, 2006

Ócio

Crise de dor na coluna lombar = ócio extremo.

Às vezes eu acho que essas coisas acontecem comigo para me frear, quando o ritmo que me imponho chega a tal ponto que ameaça minha sanidade.

Mas tem sido bom. Tenho assistido Lost, tenho lido bastante (o mangá Blade, As intermitências da morte, de Saramago, tenho estudado algumas coisas).

Estou testando pintura com lápis aquareláveis. Ontem, depois de fazer a ressonância da coluna fui atrás de tinta aquarela no Itaigara. E não é que não achei? Só os malditos lápis aquareláveis. Tenho certeza que não é a mesma coisa, mas vai ter que me bastar.

Voltei a me divertir jogando Worms também. Só que agora em 3D, para playstation.

Muita música, também. Adquirindo Mais Yann Tiersen, Morcheeba, Electric Light Orchestra, The Polyphonic Spree... Várias coisas.

Acho que eu precisava parar um tempo mesmo. Para descobrir certas coisas. Para descobrir coisas dentro de mim mesma, e no próprio mundo. Dentro e fora de nós existem universos ao nosso alcance, mas a gente fica sempre rodando ao redor das mesmas estrelas, como tolos satélites.

Ora, talvez a lição a aprender seja apenas essa. Há outros rumos possíveis, sempre.

Petits Chanteurs de Saint-Marc

Amo corais. Acho lindo o que a reunião de vozes consegue fazer. Estava eu caçando coisas de Yann Tiersen no emule quando me deparo com estes jovens cantores franceses.

Francês é uma língua que me atrai e repele ao mesmo tempo, é engraçado isso. Mas eu gosto muito das músicas, de uma forma geral, e estas não foram exceção.

Sunday, May 14, 2006

The bad guys

III Festival Sala de Arte Salvador

Programação: http://www.cineinsite.com.br/materia/materia.php?id_materia=4914

Vão!

Sessão Descobertas

As pessoas e seus vocabulários inadequados... :)
Passei anos com essa história da impingem na cabeça, sem saber o que raios era. Minha mãe disse que eu tive, e que tive também Fogo Selvagem quando era pequena. Argh! Na faculdade nunca achei um dicionário decente de mediquês-leiguês, portanto tive que fuçar hoje na internet.

Impingem é Tinea (ou tinha) Corporis, uma micose causada por dermatófitos. Também nas versões Capitis (ou tonsurans), cruris e pedis. Ou seja, micose no corpo, no cocoruto, na virilha e no pé (sim, o pé de atleta).

Já o tal do fogo selvagem eu achava que era Herpes Zoster, uma reativação localizada do vírus da catapora. Mas não, fogo selvagem é o pênfigo foliáceo endêmico, uma doença de pele auto-imune em que você produz anticorpor contra sua própria pele. Lindo, não? É que em bom e velho mediquês, auto-anticorpos IgG, especialmente da subclasse IgG4, se dirigem contra ectodomínios da desmogleína 1, culminando no processo de acantólise.

É isso aí. Descobertas da minha vida. Eu amo o Português.

Tuesday, May 09, 2006

Franz Ferdinand

Ando cada vez mais in love pelos Escoceses... Toda vez que mergulho de cabeça nos acordes maravilhosos agradeço a Elvis por ter me iniciado, e justamente através das músicas que mais gosto do primeiro álbum: Auf Asche e Matinee.

Há tanta coisa que eles dizem que ressoa em mim apenas como eu mesma... Pequenas pérolas jogadas aos porcos que são captadas por minha antena e convertidas em puro deleite.

Words so Leisured . Não é apenas o que se diz, mas como se soa. O som de Franz é potente, intenso, rock na medida, sem frescura, com os momentos leves e pesados, tudo autêntico e sem pretensões. De repente os anos 70 voltaram com toda a FORÇA. E é Britpop na veia; não à toa há rumores de que é a banda preferida de Bono Vox, no momento.

Ouçam. Não haverá arrependimento.

" She's an emotion avenger
she is the villain who sends her
Line of dark fantastic passion
She knows that you will surrender
Knows that you will surrender

you want this fantastic passion
we’ll have fantastic passion
You can feel her lips undress your eyes
Why should ugly skin that never feels...

Never feel your fingers tingle tense anticipation on it
this one is an easy one, feel the word and melt upon it
Words of love, words so leisured
Words are poisoned darts of pleasure
die...

Yes, she's in her black mood tonight
Watch her dye your black hair white
Rob you of your muscles, slacken
all the skin that was so tight

So ask for a reason
Ask for any reason
Ask for the one reply
for the one reply

Try for reason
but passion never lives
it dies with reason
Try for reason
then die…"




Sunday, May 07, 2006

MI3

Fui assistir sem pretensões nenhumas. Na verdade eu até tinha pretensões de não gostar. Mas eu gostei. E olha que eu tava com sono. Se fosse ruim, eu tinha dormido, e seria meu segundo filme de ação no qual eu dormiria. O primeiro foi Godzilla, eu dormi na cena da explosão da ponte... :)