1996
Primeiro ano da faculdade de medicina. Eu estava no segundo semestre, pegando Anatomia II, Imunologia, Bioquímica 2, Fisiologia 1, Biofísica.
Tem umas coisas legais escritas nas contracapas dos meus cadernos, quase sempre, e há muito tempo.
Seleciono aqui umas coisas legais desse ano.
"Errar é humano. Permanecer no erro é diabólico".
"Sem o cultivo do sensorial e do erótico no contato, as pessoas jamais se entenderão verdadeiramente, tratando-se sempre à distância, o que significa só por si reserva, desconfiança, suspeita..."
"Fácil suicidar de vez. Difícil ressucitar todo dia."
Tenho algumas letras de música inteiras. Kiss from a Rose, de Seal; It's not enough e Nightie Night de Marina.
Um poema de Drummond, um trecho, adoro Drummond. Sempre.
" Amor meu, punhal meu, fera miragem
Consubstanciada em vulto feminino,
Por que não me libertas do teu jugo,
Por que não me convertes em rochedo,
Por que não me eliminas do sistema
Dos humanos prostrados, miseráveis,
Por que preferes doer-me como chaga
E fazer dessa chaga meu prazer?"
E uma frase de um papa. How weird.
"Meus filhos, os erros serão perdoados. Em nossa obsessão com o pecado original frequentemente esquecemos a inocência original..."
Papa Inocêncio de Assis, século XV (? Será?)
Há um verso de uma música também de Marina. Muito sábio, muito sábio.
"E claro é que o pêndulo do amor
Às vezes vai até a dor."
É estranho desenterrar essas coisas. Ao mesmo tempo é familiar e aconchegante. E uma redescoberta fascinante do que eu era, e do que me tornei.
Tuesday, November 07, 2006
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