Saturday, February 16, 2008

Papagaio


Estou ouvindo Moldy Peaches - graças a Carol Custódio e Juno, e é uma música delicada, com algo que parece um xilofone soando baixinho no fundo, sininhos de música para crianças, e o papagaio está aqui em pezinho na gaiola do meu lado e de repente ele começa a assobiar bem baixinho e a fazer uns barulhinhos imitando a música também baixinho, e é tão bonito, e de repente eu me lembro que esse é meu velho papagaio, que me acompanha desde 1989 quando eu tinha onze anos, e ele nem parece velho de verdade. Ele fica cantando e assobiando baixinho e imitando a música e eu sorrio deliciada e começo a sorrir sozinha, e já não me sinto mais tão sozinha assim. Ele está sempre aqui, apesar de às vezes eu passar o dia todo fora e ele ficar aqui sozinho na gaiola, se coçando, limpando as penas, resmungando seu resmundo de papagaio e dormitando. Ele parece funcionar de verdade apenas quando chegamos em casa, e aí ele se anima todo, grita, late, se balança, dança e abre as asas e perturba o juízo pedindo comida, carinho, atenção.

Na maioria das vezes sempre quieto, sempre paciente, sempre observador.

Meu papagaio.

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