Tuesday, April 18, 2006

Chico é o menestrel.

Ouvi essa música recentemente no rádio e parei para analisar a letra - como faço com tudo que é escrito por Chico Buarque. Fiquei pensando então nas coisas às quais a letra me remetia: em todos os amores feitos e desfeitos, em todos os inícios e finais de amor da minha vida. Me lembro de Elvis e sua Sabedoria: "love fades..." Lembro de como todos os novos amores parecem ser Aquele amor, o definitivo, o eterno, o único e verdadeiro...

Até que tudo começa a acontecer novamente, a paixão diminui, a rotina entra em cena, as decepções se tornam maiores do que o sentimento que vai sobrando, falhamos em encontrar em nós e no outro aquilo que buscamos. E talvez esse seja o erro.

Eventualmente, deve-se chegar ao samba do grande amor. Que os deuses me protejam de chegar nesse ponto :)

Samba do grande amor
Chico Buarque1983

Tinha cá pra mim
Que agora sim
Eu vivia enfim o grande amor
Mentira
Me atirei assim
De trampolim
Fui até o fim um amador

Passava um verão
A água e pão
Dava o meu quinhão pro grande amor
Mentira
Eu botava a mão
No fogo então
Com meu coração de fiador

Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira

Fui muito fiel
Comprei anel
Botei no papel o grande amor
Mentira
Reservei hotel
Sarapatel
E lua-de-mel em Salvador

Fui rezar na Sé
Pra São José
Que eu levava fé no grande amor
Mentira
Fiz promessa até
Pra Oxumaré
De subir a pé o Redentor

Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira...

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